Daniel Radcliffe concedeu uma entrevista à Vogue Us como parte da divulgação da sua peça na West End, The Cripple of Inishmaan que estréia dia 08 de junho. Na matéria podemos ver Daniel caracterizado como seu personagem Cripple Billy, um deficiente de dezessete anos que sonha em se tornar um astro de cinema.
Autêntico
Dando uma pausa na telona, Daniel Radcliffe retorna aos palcos de Londres em The Cripple of Inishimaan.
A transformação de Daniel Radcliffe de jovem bruxo adorado mundialmente à desesperadoramente famoso, versátil jovem ator continua rapidamente. No ano passado ele filmou três filmes, estrelando o poeta Beat Allen Ginsberg em Kill Your Darlings, um amante confuso em The F Word, e um jovem adulto que cria um chifres no propriamente intitulado Horns (NT: Horns significa chrifres em inglês, mas aqui no Brasil é provável que a tradução seja O Pacto, assim como o livro). Agora, de volta aos palcos londrinos pela primeira vez desde 2007 em sua estréia em Equus, Radcliffe é um rapaz irlandês deficiente que sonha em se tornar um astro de cinema, na reestreia da brilhante comédia de humor negro de Matrin Mcdonagh no West End, The Cripple of Inishmaan. “Como todo o trabalho de Martin”, Radcliffe me conta entre drinks no London’s Union Club, “a peça – mesmo que trate de temas muito obscuros – tem um incrível senso de humor na maneira como foi escrita”.
O autor de trabalhos tão eletrizantes como The Beuty Queen of Leenane e The Pillowman, Mcdonagh é um anglo-irlandês mestre da violência gótica e do humor selvagem. O relativamente Cripple, situado em 1934 numa escura ilha na costa oeste irlandesa, conta a história de Billy, órfão de dezessete anos com membros torcidos, que vive com suas duas ‘tias’ e passa seus dias olhando vacas e suportado os insultos de Johnnypateenmike, a língua afiada e os punhos rápidos de seu objeto de afeição Helen. Quando uma equipe de filmagem se concentra perto de Inishimore, Billy convence o bondoso Babbybobby a levá-lo de barco ao teste, esperando levar sua sombria existência para Hollywood. “É tudo que você espera de Matin, mas é também muito compassivo e edificante”, Radcliffe diz. “Consegue ser doce e, ao mesmo tempo, inacreditavelmente cruel. Ele sempre te dá o mínimo de esperança que você precisa para sair do teatro com um sorriso no rosto”.
Conhecido por seu entusiasmo infantil e quase ética profissional obcessiva, Radcliffe se jogou na preparação para o papel, trabalhando com uma treinadora vocal (como um dos poucos atores não irlandeses da peça, ele não quer que seus colegas de elenco, como ele diz, “balancem a cabeça murmurrando ‘ai Deus’ quando eu abrir a minha boca”) e uma treinadora corporal para aprender a andar e se mover como alguém incapaz por oito shows por semana sem se machucar. “Eu quero que seja consistente, autêntico, e, para mim, seguro, assim eu poderei seguir em frente e ter uma vida produtiva no mercado de trabalho”, ele diz.
“Dan é um ator extraordinariamente carismático e inteligente”, diz Michal Grandage, ex-chefe do Donmar Warehouse, que está dirigindo Cripple como parte da temporada de cinco peças no West End (outras incluem Judi Dench e Bem Whishaw em Peter and Alice e Jude Law em Henrique V). “Billy não pode simplesmente ser uma criatura abusada e simpática. Ele tem que ter ambição, egoísmo, e a capacidade para enganar – ele é uma massa de contradições. É um grande papel para Dan porque o faz progredir como ator. E isso é sempre satisfatório para o público porque eles o viram crescer, e descobriram nele uma versatilidade que até pouco tempo não sabiam que existia.”
Diferente de seu personagem, que todos vêem só como Cripple Billy (Billy Aleijado), Radcliffe conseguiu escapar de ser estigmatizado, como poderemos conferir a partir da grande diversidade dos seus próximos filmes, a começar por Kill Your Darlings. Ele declara que interpretar Ginsberg foi libertador, mas está ansioso pela estreia de todos os três filmes porque, como ele diz, ‘foram um grande passo para mim’. O próximo passo: O corcunda Igor numa nova versão dirigida por Paul McGuigan de Frankenstein. Ele também segue fazendo aulas de canto e dança que começou na época de preparação para o musical “How To Succeed In Business“, e influenciado pelo trabalho de McDonagh, escreveu um roteiro que pretende produzir. “Eu não chamaria exatamente de exploração, mas…”, sua voz falha e ele ri. “Bem, digamos que é uma comédia bem obscura, com muita violência. Eu estou muito orgulhoso do que fiz, mas talvez seja algo que só vá interessar a mim.” – Adam Green
Traduzido por Ju Sobreira e Beatriz Moreira da equipe Portal Radcliffe